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Afastamentos do trabalho por Síndrome de Burnout crescem quase 500% em quatro anos

Afastamentos do trabalho por Síndrome de Burnout crescem quase 500% em quatro anos

Publicado em 21/01/2026

Fonte: Portal Verdade

Apesar dos dados alarmantes, especialistas alertam para a subnotificação dos casos, já que trabalhadores informais não entram nas estatísticas

Levantamento do Ministério da Previdência Social, divulgado na última semana, demonstrou que os afastamentos do trabalho em decorrência de Síndrome de Burnout registraram um aumento exponencial no país a partir de 2021. 

A concessão de auxílios-doença por esgotamento profissional registrou um salto de 493% nos últimos quatro anos, passando de 823 casos em 2021 para 4.880 em 2024.

Em 2025, o índice continuou crescendo: apenas entre janeiro e junho foram contabilizados 3.494 afastamentos, número que corresponde a 71,6% do total registrado em todo o ano anterior.

Apesar dos dados alarmantes, o órgão alertou para a subnotificação dos casos. Uma das preocupações é que trabalhadores informais, frequentemente submetidos a condições de trabalho ainda mais degradantes, não contribuem para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e, portanto, não entram nas estatísticas. 

“O diagnóstico de Burnout é complexo, muitas vezes associado a outros quadros como depressão e ansiedade, o que dificulta a identificação”, alerta a psicóloga organizacional, Sabrina Alves. 

Ainda, de acordo com ela, apesar de ser uma doença multifatorial, o diagnóstico considera algumas origens específicas: estresse crônico no trabalho, pressão excessiva, falta de reconhecimento estão entre as principais. 

“Uma das grandes diferenças é que o Burnout é um esgotamento ligado ao trabalho, relaciona-se diretamente com a organização da jornada, a relação estabelecida com a chefia e demais colegas. Já a depressão é um transtorno mais amplo, afetando todas as áreas da vida com tristeza profunda, perda de prazer e baixa autoestima, possui causas diversas, tanto genéticas como ambientais”, explica. 

O reconhecimento da Síndrome de Burnout como doença ocupacional ocorreu por meio de normativa do Ministério da Saúde em 2023, assegurando o direito ao auxílio-doença e estabilidade no emprego após o retorno.

Alves ressalta a importância de procurar orientação especializada. “Procure ajuda profissional, de psicólogos, psiquiatras. Faça mudanças no estilo de vida, inclua exercícios, lazer, horas adequadas de sono, alimentação saudável. Reavalie sua relação com o trabalho, estabeleça limites, construindo um equilíbrio entre vida profissional e pessoal, investindo em atividades prazerosas e fortalecendo sua rede de apoio”, assinala. 

“Com rotinas cada vez mais extensas e intensificação da precarização, é difícil estabelecer limites. O discurso da meritocracia dita que ‘bom funcionário é aquele que veste a camisa’, mas esta ideia só reforça a lógica de exploração irrestrita do trabalho levando ao adoecimento do trabalhador”, complementa. 

Adoecimento mental preocupa cada vez mais 

As relações entre trabalho e saúde mental têm chamado cada vez mais a atenção de gestores e profissionais da saúde. Ao todo, em 2024, o INSS concedeu 472,3 mil benefícios por transtornos psicológicos, incluindo depressão e ansiedade. No total, foram 3,6 milhões de auxílios-doença liberados. 

Este tipo de adoecimento já responde por aproximadamente um a cada sete afastamentos, se aproximando das causas osteomusculares, que historicamente lideram as concessões.

Os pagamentos com auxílio-doença saltaram de R$ 18,9 bilhões em 2022 para R$ 31,8 bilhões em 2024, uma elevação de 68%.