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Botín diz que Santander não está à venda, mas nada fala sobre emprego
Publicado em 23/01/2013
Fonte: Contraf-CUT com Agência Brasil e UOL
O Santander não está vendendo ativos no Brasil, disse nesta terça-feira (22) o presidente mundial do banco, Emilio Botín, antes de reunião com a presidente Dilma Roussef, em Brasília. Há duas semanas, voltaram a circular boatos sobre a venda ao Bradesco. Botín disse que \"ativos aqui o Santander compra\", completando a frase com uma brincadeira: \"Mas não tenho tempo de comprar porque tenho de ver a presidente\".
O espanhol também disse estar confiante sobre o crescimento econômico brasileiro neste ano. \"Estou convencido de que a economia brasileira terá um desempenho melhor em 2013 do que no ano passado. O Santander acredita que a economia vai crescer 3%\", disse Botín, salientando que o banco deve disponibilizar neste ano de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões em recursos para financiamento a projetos de infraestrutura. No entanto, nenhuma palavra foi dita sobre emprego.
O executivo disse que o Santander está investindo muito no país, não só na abertura de novas agências, mas também em universidades. \"Para nós do Santander, o Brasil é o país mais importante do mundo\", afirmou.
Botín citou o investimento em agências, caixas eletrônicos e em um grande centro de dados a ser construído em Campinas, no interior de São Paulo, e que estará entre os maiores do mundo, a ser inaugurado em 2014. Nada, porém, foi anunciado sobre investimentos para os funcionários do banco.
O presidente mundial do Santander também elogiou o presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, com quem teve reunião pela manhã. \"Ele é um grande presidente\", disse, completando que o fato de o BC brasileiro ser independente é algo muito importante para o país, que tem um sistema financeiro \"único no mundo\" porque tem três grandes bancos públicos e três grandes bancos privados.
Botín também foi questionado sobre o grau de intervenção do governo na economia brasileira. Ele disse que outros países do mundo são muito mais intervencionistas e deu como exemplo a própria Europa. \"Confio que o governo não fará o tipo de intervenção que se vê em outros lugares. Na parte financeira, que conheço bem, as instituição atuam bem e são muito independentes do poder.\"
Nenhuma palavra sobre emprego
O presidente do Santander nada declarou para a imprensa sobre emprego, mesmo após a demissão em massa de funcionários antes do Natal. \"Botín perdeu uma boa oportunidade para falar sobre as perspectivas de emprego em 2013 diante das dispensas e incertezas que aumentaram em dezembro\", avalia o secretário de imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr.
\"De nada adianta ter uma propaganda milionária dizendo que o Santander investe forte no Brasil, se o banco cortou quase mil postos de trabalho no último mês de 2012\", critica o dirigente sindical.
\"Queremos que o banco faça a lição de casa, com investimentos no empego e na melhoria das condições de trabalho, em vez de fazer dispensas de pais e mães de família, muitos com mais 10 e 20 anos de banco, perto da aposentadoria\", destaca Ademir.