NOTÍCIAS

Coletivo de Combate ao Racismo da CUT debate estratégias de luta do movimento negro

Coletivo de Combate ao Racismo da CUT debate estratégias de luta do movimento negro

Publicado em 22/11/2024

Fonte: CUT

Durante o encontro foi apresentada pesquisa do Dieese que mostra que o rendimento médio dos negros é 40% inferior ao dos não negros. Evento discutiu também as estratégias para a 5ª Conapir

Um dia após as celebrações da Consciência Negra, o Coletivo Nacional de Combate ao Racismo da CUT se reuniu, nesta quinta-feira (21), em São Paulo, para debater estratégias de luta do movimento negro para o ano de 2025 e como será feita a política antirracista. O encontro, composto por estaduais e ramos, termina nesta sexta-feira, dia 22.

Durante o evento, foi apresentado um panorama da realidade do mercado de trabalho para a população negra. Os dados mostram, entre outros pontos, que o rendimento médio dos negros é 40% inferior ao dos não negros (Veja mais dados abaixo).

Os participantes, que vieram de todas as regiões do Brasil, propuseram a realização de encontros estaduais para debater a Marcha das Mulheres Negras e a 5ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir), ambas ocorrerão em 2025.

A secretária nacional de Combate ao Racismo da CUT, Maria Júlia Nogueira, explicou que o encontro nacional do coletivo teve o objetivo de compartilhar com sindicatos e ramos as ações que serão levadas para a conferência. “Levar vozes do movimento sindical  CUTista para a 5ª Conapir”, disse.

"Nós do movimento sindical temos que ser uma única voz na Conferência, uma voz com as proposta que sairão desse coletivo”, disse.

Marina Duarte, vice-presidenta do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e representante da União de Negros pela Igualdade (Unegro), explica que os três eixos da 5ª Conapir serão democracia, justiça racial e reparação. “As conferências municipais, estaduais e nacionais serão realizadas pela sociedade civil, as virtuais também”.

Para Nuno Coelho, representante dos Agentes de Pastoral Negra (APNs), o encontro do coletivo ajuda a pensar a política de combate o racismo. “Devemos enfrentar os preconceitos, organizar a agenda e junto com as demais entidades de articulação do movimento negro para pensar uma ação afirmativa para o Brasil”.

Almir Aguiar, da Juventude Negra Viva e secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, lembrou das ações que estão sendo discutidas em Brasília sobre a violência contra jovens negros no país. "Nosso objetivo é diminuir a letalidade na juventude negra".

Ações

Para além da 5ª Conapir, outras ações estão sendo articuladas, entre ela uma marcha de mulheres negras na capital federal. Rosa Negra, educadora popular e Coordenadora Nacional e Estadual do Movimento Negro Unificado - MNU/RO, afirmou que a meta é levar 100 mil mulheres negra para para esta marcha, em Brasília, no mês de novembro de 2025.

“Nossa meta é que os movimentos sociais, sindicatos e ramos cheguem bem organizados. São muitas tarefas, mas, é por isso que a gente tem que se dividir. Precisamos chamar todas e todos para o debate”.

A atividade contou com a participação dos dirigentes da Executiva Nacional da CUT, como o Secretário Geral, Renato Zulato, o secretário de Administração e Finanças, Ariovaldo de Camargo, a secretária de Comunicação, Maria Aparecida Faria, a secretária de Formação, Rosane Bertotti, e secretário de Economia Solidária, Admirson Medeiros Ferro Júnior (Greg).

Mercado de trabalho e mulheres negras

Durante a atividade do coletivo, foi apresentando o levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), um estudo sobre vários indicadores que apontam, apesar dos avanços, que a desigualdade racial de rendimentos persiste no Brasil.

Segundo o estudo, o rendimento médio dos negros é 40% inferior ao dos não negros. O levantamento demonstrou também que os negros com ensino superior ganham até 32% a menos que os demais trabalhadores com o mesmo nível de ensino, o Dieese destaca que, mesmo com a adoção da Lei das Cotas, a situação pouco se alterou.

Outro dado significativo é a renda de R$ 899 mil a menos dos trabalhadores negros em relação aos não negros, durante todo o período de sua vida laboral. No caso daqueles com ensino superior, o valor chega a R$ 1,1 milhão.

No que diz respeito aos cargos de liderança, um em cada 48 homens negros está em posições de chefia ou comando. Entre os não negros, a proporção é de um para 18 profissionais. Nas profissões mais bem pagas, os negros são apenas 27% do total, com 70% dos trabalhadores em ocupações com salários mais baixos.

Já sobre as mulheres negras, o levantamento do Dieese mostra também que uma em cada seis mulheres negras trabalha como empregada doméstica. O rendimento médio das profissionais sem carteira é R$ 461 menor do que o salário mínimo.

Difícil inserção

Segundo o boletim do Dieese, o mercado de trabalho talvez seja um dos meios onde a discriminação racial e a desigualdade sejam mais evidentes. Os negros enfrentam maior dificuldade desde o momento em que começam a busca por trabalho.

A taxa de desocupação da população negra é sempre superior à do restante dos trabalhadores. No 2º trimestre de 2024, a taxa de desocupação dos negros era de 8%, enquanto a dos não negros ficava em 5,5%.

Entre as mulheres negras, a taxa de desocupação era de 10,1%, mais do que o dobro da taxa entre homens não negros (4,6%).

De acordo com os dados, cerca de um quarto das mulheres negras (24,6%) aptas a compor a força de trabalho disseram que estavam desocupadas ou não tinham procurado trabalho por falta de perspectiva; ou estavam ocupadas, mas com carga de trabalho inferior à que gostariam de ter.

Entre os homens não negros, essa taxa era de 10,1%. Ou seja, mesmo com o mercado de trabalho aquecido, um quarto das mulheres negras enfrentam dificuldades para conseguir uma inserção laboral adequada.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 57% da população brasileira é composta por negros, sendo também a maioria dos trabalhadores, somando 55% dos ocupados.

Apoio da AFL-CIO

Gonzalo Martínez, diretor do escritório do Solidarity Center no Brasil, destacou a importância do encontro do coletivo nacional de Combate ao Racismo da CUT, que conta com o apoio da entidade.

“O Solidarity Center da AFL-CIO tem trabalhado com a secretaria de Combate ao Racismo da CUT em projetos que vão desde o aumento da conscientização de trabalhadores e trabalhadoras sobre as dimensões raciais da luta de classe até a criação de plataformas políticas de promoção da justiça racial”, ressaltou.

No final da atividade, o Instituto Observatório Social e o Dieese em parceria com SASK – Finlândia divulgou um estudo sobre as situações dos trabalhadores e trabalhadoras com deficiência, nos setores do comércio, serviços e industrial, no contexto das condições de trabalho, como de negociação coletiva-sindical.