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Encontro de Bolsonaro e Trump pode trazer benefícios para o Brasil; entenda

Encontro de Bolsonaro e Trump pode trazer benefícios para o Brasil; entenda

Publicado em 18/03/2019

O presidente Jair Bolsonaro embarca hoje para os Estados Unidos, destino de sua primeira viagem bilateral de caráter oficial, e terá um encontro com o presidente norte-americano, Donald Trump. O chefe do Executivo brasileiro chega em um momento tumultuado para o líder republicano, que sofreu uma derrota política na semana passada, quando o Senado americano derrubou a declaração de emergência nacional da fronteira para construir o muro com o México. O Itamaraty estima que a conversa entre os dois presidentes no Salão Oval da Casa Branca, na terça-feira, dure cerca de uma hora.

Durante a visita, que o governo encara como oportunidade de superar o que chama de “preconceitos ideológicos que impediram no passado o aproveitamento pleno do potencial da relação”, Bolsonaro pretende tomar iniciativas políticas com as quais espera obter retornos econômicos. Em uma delas, levanta — de forma unilateral — a possibilidade de suspender a necessidade de visto para a entrada de visitantes norte-americanos no Brasil. Com isso, o Planalto pretende aumentar o número de turistas americanos no país. A principal mensagem do presidente brasileiro para Trump, de acordo com o Itamaraty, será que “Brasil e Estados Unidos possuem afinidades de valores e de interesses que devem ser transformados em ampliação do comércio e dos investimentos e no fortalecimento da cooperação em áreas como ciência, tecnologia e inovação, energia, defesa, segurança, além de temas regionais e globais”.

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Bolsonaro ficará na Blair House, casa de hóspedes de honra do governo dos EUA, que integra o complexo da Casa Branca (leia na página 4), onde Dilma Rousseff também ficou, na última viagem presidencial do Brasil aos EUA, em 2015. Ele assinará o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, que dá permissão aos EUA para utilizar a base de lançamento de foguetes de Alcântara, no Maranhão, em negociação há cerca de 20 anos. Está previsto ainda o anúncio do Brasil como um aliado extra da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) dos Estados Unidos, status com o qual o governo brasileiro pretende ter acesso à tecnologia militar.

O ex-embaixador do Brasil nos EUA Rubens Barbosa considera esse acordo como o ponto mais importante da agenda de anúncios previstos pelo governo. “Com essa parceria, o Brasil passa a aceitar uma série de princípios que garantem a propriedade intelectual, ou seja, segredos tecnológicos, de empresas que vão utilizar a base de Alcântara para lançar seus satélites, colocando o Brasil em um mercado em expansão”, avalia. Para Barbosa, a reciprocidade para o fim da necessidade de vistos não é fundamental. “Quando eu era embaixador, em 2003, uma família americana gastava US$ 400 apenas em emissão de vistos para o Brasil, o que fazia muitos turistas preferirem a Jamaica”.