NOTÍCIAS
ECONOMIA
NOTICIAS GERAIS
SEGURANÇA
Governo Trump ataca Pix novamente por sistema brasileiro não pagar bilhões aos EUA
Publicado em 02/04/2026
Fonte: CUT
Trump pode voltar a taxar o Brasil após a Casa Branca divulgar documento criticando o uso do Pix pelos brasileiros, em detrimento dos cartões de crédito dos EUA, que vêm perdendo bilhões em taxas
Um documento do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), ligado à Casa Branca, publicado na última terça-feira (31/3), apontou o Pix como barreiras impostas pelo Brasil aos interesses do governo dos EUA\ no comércio exterior. No documento o USTR expressa “preocupações de que o Banco Central conceda tratamento preferencial ao Pix, o que prejudica os fornecedores de serviços de pagamentos eletrônicos dos EUA”.
O texto também traz críticas ao Projeto de Lei (PL) das plataformas de internet (big techs), a taxas de importação e à comercialização na Rua 25 de Março. O relatório entra em sua reta final nos próximos meses e pode resultar em tarifas específicas contra produtos brasileiros.
Esta não é a primeira vez que o governo Trump ameaça o sistema brasileiro. No ano passado uma das desculpas para impor taxas aos produtos brasileiros em 50% em julho do ano passado foi, além da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, o uso do Pix que estaria causando prejuízos ao mercado financeiro dos Estados Unidos.
Uma conta hipotética sobre a movimentação financeira do Pix em 2024, mostra o quanto as empresas dos EUA estão perdendo com o PIX. “Se calcularmos apenas R$ 1,00 por Pix dentre as 63,51 bilhões de transações feitas, os cartões de débito e crédito perderam a movimentação R$ 63,51 bilhões, no ano retrasado. Esta conta não calcula a possibilidade do uso de TED e outros meios de pagamentos. Ainda assim a perda financeira dos cartões norte-americanos é bilionária, o que para Trump é inadmissível”, disse Vivian Machado, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em entrevista ao Portal CUT, em julho de 2025.
Taxas cartões X Pix
Somente em 2025 os brasileiros movimentaram R$ 35,4 trilhões em Pix, um recorde. Isso significa que essa fortuna não passou pelo sistema financeiro dos Estados Unidos, já que os cartões de crédito e toda movimentação financeira operada por empresas estrangeiras como Visa e Mastercard pagam taxas, enquanto o PIX é livre de qualquer taxação.
Para usar o Pix como pagamento à vista, as pessoas físicas e Microempreendedores Individuais (MEIs) não pagam tarifas ou taxas adicionais. Já as empresas (pessoa jurídicas) pagam um percentual muito abaixo dos cartões - em média de 0,33% do valor da transação e, dependendo do banco podem ser isentas porque a cobrança é opcional. Uma transação via cartão de débito custa ao comerciante em média entre 1,23% e 2% e o de crédito entre 3% e 5%.
Confira abaixo, ponto a ponto, as menções ao Brasil no relatório da USTR – informações compiladas pela Revista Fórum
- Comércio bilateral: a USTR informa que o Brasil foi o 11º maior mercado para exportações de bens dos EUA em 2025 e o 12º maior mercado para exportações de serviços americanas, segundo os dados citados no relatório.
- Tarifas de importação: o relatório afirma que o Brasil mantém tarifas relativamente altas em vários setores, como automóveis, autopeças, tecnologia da informação, eletrônicos, químicos, plásticos, máquinas industriais, aço, têxteis e vestuário.
- Etanol: a USTR reclama da volta da tarifa brasileira sobre o etanol importado dos EUA e diz que ela está em 18% em 2025.
- Remessas expressas / “taxa das blusinhas”: o relatório critica o limite anual para importações simplificadas e os tetos por remessa, apontando restrições sobre express delivery no Brasil.
- Pix: a USTR registra preocupação de stakeholders de que o Banco Central do Brasil dê tratamento preferencial ao Pix, o que, segundo o documento, prejudicaria fornecedores americanos de pagamentos eletrônicos. Também menciona que o uso do Pix é obrigatório para instituições com mais de 500 mil contas.
- Rua 25 de Março: o relatório menciona a Rua 25 de Março, em São Paulo, na discussão sobre mercados notórios ligados à falsificação e pirataria.
- PL de mercados digitais / Cade: a USTR critica o projeto que ampliaria poderes do Cade sobre plataformas digitais, dizendo que os critérios e obrigações poderiam atingir de forma desproporcional empresas dos EUA e permitir multas de até 20% da receita global na linha de negócio relevante.
- Direitos trabalhistas e enforcement: o documento também diz que os EUA têm preocupações com a proteção de direitos trabalhistas reconhecidos internacionalmente e com a fiscalização da legislação laboral no Brasil.
- Meio ambiente / madeira ilegal: a USTR cita o Brasil no tópico de exploração ilegal de madeira e comércio associado, vinculando o tema a distorções concorrenciais e criminalidade transnacional.
A íntegra do relatório da USTR pode ser lida aqui.