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Negros seguem como principais vítimas da violência no Brasil, mostra Anuário de Segurança 2025

Negros seguem como principais vítimas da violência no Brasil, mostra Anuário de Segurança 2025

Publicado em 18/08/2025

Fonte: Contraf-CUT

Dados apontam que jovens, mulheres e policiais negros concentram maior parte das mortes violentas; para a Contraf-CUT, números escancaram o racismo estrutural no país

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela o peso do racismo estrutural na violência do país. Em 2024, a cada dez pessoas mortas pela polícia, oito eram negras. O levantamento também aponta que mulheres negras são a maioria entre as vítimas de feminicídio e que policiais negros são os mais atingidos pela violência letal em serviço.

Segundo o estudo, 82% das mortes decorrentes de intervenção policial foram de pessoas pretas ou pardas. A maioria das vítimas eram homens (99,2%) e jovens: as taxas mais altas estão entre adolescentes de 12 a 17 anos (2,3 por 100 mil) e jovens de 18 a 24 anos (9,6 por 100 mil).

Outro dado alarmante mostra que a violência atinge também quem veste a farda. Em 2024, 170 policiais civis e militares foram mortos em serviço, sendo 65,4% deles negros, ainda que este grupo represente pouco mais da metade do efetivo.

No total, o Brasil registrou 44.127 mortes violentas intencionais em 2024, das quais 79% tiveram vítimas negras. Quase metade das pessoas assassinadas tinha até 29 anos.

Entre os feminicídios, a desigualdade racial também aparece: 63,6% das mulheres assassinadas eram negras, em sua maioria entre 18 e 44 anos (70,5%). A violência ocorreu principalmente dentro de casa (79,8%), praticada por parceiros ou ex-parceiros, utilizando sobretudo armas brancas (48,4%) ou de fogo (23,6%).

Para o secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar, os números não deixam dúvidas sobre a realidade brasileira. “O Anuário escancara o que sempre denunciamos: a violência no Brasil tem cor. A juventude negra, as mulheres negras e até os policiais negros são as maiores vítimas de um sistema que os desvaloriza e os trata como descartáveis. Esses dados comprovam o racismo estrutural que atravessa nossa sociedade e também as instituições de segurança pública. É urgente que o Estado assuma a responsabilidade de enfrentar essa realidade com políticas públicas sérias e ações efetivas de combate ao racismo”, afirmou.

Almir destaca ainda que a luta contra a violência racial está diretamente ligada à luta por direitos. “Não existe democracia plena enquanto a juventude negra continuar sendo exterminada e as mulheres negras seguirem sendo as principais vítimas do feminicídio. O combate ao racismo é condição essencial para a construção de um país justo e igualitário”, completou.