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PR debate PEC que propõe fim da escala 6 x 1

📷 Divulgação
Marcio Kieller presidente da Central Única dos Trabalhadores no Paraná (CUT-PR).
Marcio Kieller presidente da Central Única dos Trabalhadores no Paraná (CUT-PR).

Publicado em 25/05/2026

Fonte: Economia PR

O debate regulatório sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1 entrou em sua semana mais decisiva no Congresso Nacional.

O texto prevê a redução da jornada semanal máxima das atuais 44 horas para 40 horas, com a instituição do modelo de descanso de dois dias por semana (escala 5×2), sem redução salarial. A previsão oficial é de que ele seja votado na comissão especial no dia 27 de maio.

Embora o tema concentre as atenções em Brasília, a tramitação também vem mobilizando os bastidores políticos e empresariais do Paraná, onde cresce a articulação em defesa da redução da jornada.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Paraná (CUT-PR), Marcio Kieller, tem endossado o posicionamento da central nacional em defesa de uma aprovação célere. As entidades representativas reforçam que o bem-estar social decorrente do descanso duplo se converte em ganho de eficiência no médio prazo.

“Não estamos debatendo apenas uma alteração na folha de ponto, mas a construção de um modelo econômico sustentável e humano. As pesquisas empíricas mais robustas sobre o tema nos mostram que a redução de jornada ataca diretamente o esgotamento da força de trabalho e traz maior qualidade de vida, e, consequentemente, maior produtividade às empresas”, afirma Kieller.

Esse argumento encontra respaldo metodológico em experimentos internacionais amplamente cobertos pela imprensa global.

Na Islândia, por exemplo, redução de jornada realizados no período de 2015 a 2019 demonstraram estabilidade ou incremento nos índices de produtividade dos setores avaliados, acompanhados por uma redução substancial nos indicadores de estresse laboral e uma aprovação superior a 80% dos profissionais envolvidos.

No Reino Unido, conforme balanço publicado pelo The Guardian sobre o maior projeto-piloto de semana reduzida do mundo, as empresas participantes registraram manutenção ou aumento de suas receitas, além de uma queda drástica de 57% na rotatividade de funcionários (turnover).

Exatos 39% dos trabalhadores afirmaram estar menos estressados, 40% estavam dormindo melhor e 54% disseram que ficou mais fácil conciliar as responsabilidades do trabalho e da vida pessoal.

Ainda sobre o tema, Márcio Kieller defende que a aprovação da PEC ocorra com implementação imediata, sem um período prolongado de transição, diferentemente de emendas parlamentares apresentadas ao texto que propõem uma adoção gradual da medida para os setores do comércio e de serviços. 

“Propor uma transição longa é fechar os olhos para a urgência da classe trabalhadora. O mercado e as empresas têm plena capacidade adaptativa, e a história já provou que o desenvolvimento econômico caminha de mãos dadas com o avanço social”, contrapõe o presidente da central.

Para Kieller, a escala 6×1 pesa de forma ainda mais intensa sobre as mulheres devido à dupla jornada. Muitas encerram um dia exaustivo de trabalho e seguem para uma segunda carga de responsabilidades dentro de casa, envolvendo cuidados com os filhos, alimentação, limpeza e organização da família.

“No fim, sobra pouco ou nenhum tempo para descanso, estudo, lazer, saúde mental ou convivência familiar. Não estamos falando apenas de carga horária, mas de dignidade e do direito de existir para além do trabalho”, afirma.